Sabe a onda de furtos de celulares que vem aterrorizando moradores de Belo Horizonte, com vários casos registrados, muitos deles nos bairros das regiões Leste, Nordeste e Centro-Sul? Investigações do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apontaram um esquema fraudulento por trás desses crimes.
Nos levantamentos, os investigadores descobriram que os aparelhos furtados, antes de chegarem ao mercado irregular para revenda, eram destinados a organizações criminosas. O objetivo do grupo, portanto, ia além dos próprios celulares.
Os criminosos entregavam os smartphones furtados ou roubados de pessoas durante o uso em via pública a outros integrantes da quadrilha.
Após acessar contas bancárias e cartões virtuais, os criminosos aplicavam fraudes. Eles faziam saques e também compras com acessando as carteiras digitais nos aparelhos das vítimas.
Diante da descoberta, o MPMG, por meio da 12ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte, deflagrou a Operação “Token” nessa quinta-feira (27). A ação ocorreu em conjunto com a Polícia Militar e foi realizada na capital e em Santa Luzia, na Região Metropolitana.
Furtos e receptação
O alvo da operação do MPMG foi um grupo especializado na receptação dos celulares. O braço da quadrilha que conseguia acessar as contas das vítimas e realizar saques e compras. Além disso, os investigadores confirmaram fraudes cometidas com os aparelhos das vítimas.
Ficou claro o motivo pelo qual os furtos ou roubos ocorriam durante o uso dos celulares. É que a organização criminosa priorizava os smartphones desbloqueados, pois assim, o acesso aos aplicativos financeiros era muito mais rápido.
O prejuízo financeiro com as retiradas de dinheiro das contas das vítimas ou as compras por meio dos cartões muitas vezes superavam, em muito, o próprio valor do aparelho subtraído.
Prejuízo
Durante coletiva de imprensa, o promotor de Justiça Mauro Ellovitch destacou justamente esse aspecto.
Segundo ele, o uso indevido dos dados e dos aplicativos bancários costumava causar um dano muito superior ao valor do celular furtado.
Diante da descoberta da prática criminosa por trás do extravio dos telefones, o MPMG identificou a necessidade de investigar e responsabilizar todos os envolvidos na cadeia de crimes.
Ou seja, as investigações apontaram que o esquema começa no chamado crime do “arrebatamento”, passava pelos responsáveis pelas fraudes bancárias e, por fim, terminava na venda irregular dos telefones.
Quadrilha com núcleos especializados
Mauro Ellovitch explicou ainda que a organização criminosa funcionava de forma dividida. Ou seja, cada braço desempenhava uma função específica.
Assim, os responsáveis pelos furtos ou roubo dos celulares, geralmente, não eram responsáveis por aplicar o golpe posteriormente. Da mesma forma, também não era quem revendiam os aparelhos.
“Os celulares são repassados para outra parte da estrutura da quadrilha, especializada em conseguir o desbloqueio do celular e a senha do aplicativo bancário”, confirmou o promotor.
Mandados
Ao todo, durante a Operação “Token”, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, além de três mandados de prisão temporária.
Dois promotores de Justiça e mais de 30 policiais militares atuaram em conjunto na Operação “Token”.
As investigações, agora, devem avançar para identificar todos os integrantes da organização criminosa e esclarecer a participação de cada um no esquema.
O Sagrada O Sagrada – Jornal do Bairro Sagrada Família e Região – Belo Horizonte
