Minas Gerais registrou 177 feminicídios em 2025, alta de 4,4%
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Feminicídios crescem em Minas Gerais e acendem alerta para a violência contra a mulher

Enquanto o Brasil registrou uma redução no número de mortes violentas em 2025, os casos de feminicídio no país e em Minas Gerais seguiram na direção oposta e acenderam um novo alerta sobre a violência contra a mulher. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o país contabilizou 1.571 feminicídios no último ano, contra 1.504 em 2024, um aumento de 4%.

Na prática, no ano passado, quatro mulheres foram assassinadas por dia em razão da condição de gênero. O levantamento aponta que, em contrapartida, os homicídios dolosos apresentaram queda. Foram quase 41 mil assassinatos em 2025, frente aos cerca de 44 mil registrados em 2024, o menor índice desde 2012.

Em Minas Gerais, o cenário é muito preocupante. O Estado registrou 177 feminicídios consumados, um crescimento de 4,4% em relação ao ano anterior, ficando em segundo lugar no país em números absolutos e concentrando 11% de todos os casos registrados no país.

Letalidade

Apesar da redução de quase 17% nas tentativas de feminicídio, que totalizaram 207 ocorrências, a coordenadora da área de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), promotora de Justiça Denise Guerzone, afirma que os dados revelam um aumento da letalidade da violência contra as mulheres.

“É preciso um esforço brasileiro, civilizatório, em todos os sistemas de saúde, segurança, educação, assistência social, para que a gente, juntos, Ministério Público e todos os órgãos estatais que compõem a rede de enfrentamento, como as polícias Civil, Militar, Penal, Guarda Municipal, todos os atores que atuam nessa grande rede de enfrentamento, atuem de forma concatenada, de forma que a gente possa, cada um em seu recorte constitucional, entregar a maior proteção possível àquela mulher”, afirmou.

Outro dado que chama atenção é o crescimento da violência psicológica, que foi o tipo de violência com maior aumento em Minas Gerais. Em apenas um ano, os registros cresceram 32,5%. Os casos de ameaça também aumentaram 4,5%, enquanto o crime de stalking — perseguição insistente contra a vítima — registrou alta de 22%.

O estado contabilizou ainda quase 12,5 mil casos de descumprimento de medidas protetivas, um crescimento de 10%, evidenciando que muitas mulheres continuam expostas ao risco mesmo após obterem proteção judicial.

Para Denise Guerzone, os indicadores demonstram que a violência de gênero exige políticas públicas mais amplas e estruturadas. “Minas Gerais vivencia uma crise profunda e estrutural no que diz respeito à violência de gênero. Quando a gente fala estrutural, é preciso que as políticas públicas cheguem a todas as localidades. É preciso que haja uma simetria de proteção entre a área rural e a área urbana.”

Interior

Cerca de metade dos feminicídios registrados no país ocorre em municípios com até 100 mil habitantes, o que reforça a necessidade de ampliar a presença da rede de proteção no interior. “Os dados demonstram que é necessária a especialização das políticas públicas também nessas pequenas localidades. É preciso que o sistema de assistência social, CRAS, CREAS e CREAM, que identificam as vulnerabilidades, estejam disponíveis em todos os rincões, em todos os grotões. É necessária a interiorização da proteção.”

Os números reforçam a necessidade de ampliar as políticas públicas de prevenção, fortalecer a rede de atendimento às vítimas e promover ações integradas entre os órgãos de segurança, justiça, saúde e assistência social para combater a violência contra a mulher em todo o país.

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