Coluna Paulo Sabino
Educador Físico Paulo Sabino - Academia Forma Física | Foto: Internet/Reprodução / Arquivo pessoal

O que a Copa do Mundo pode ensinar sobre a sua saúde?

Durante um mês inteiro, vimos jogadores correndo mais de 10 quilômetros por partida, disputando cada bola como se fosse a última e, principalmente, fazendo parecer que tudo aquilo era muito fácil. Mas existe um detalhe que quase ninguém vê: aqueles 90 minutos representam apenas a ponta do iceberg.

Ninguém chega a uma Copa do Mundo porque treinou bem na semana anterior. Ali existem anos de disciplina, alimentação adequada, noites de sono, treinos repetitivos, preparação física, fortalecimento muscular, recuperação, fisioterapia, acompanhamento médico e, principalmente, constância.

E não existe um “depois eu faço isso” esperando para virar desculpa. Enquanto isso, nosso corpo continua trabalhando todos os dias. O coração não tira férias, as articulações não entram em recesso, os músculos não sabem que terminou a Copa. Eles apenas respondem ao que fazemos – ou deixamos de fazer.

Existe outra lição interessante que o futebol nos ensina: nenhum jogador melhora apenas entrando em campo. O jogo serve para mostrar o resultado do treino. E é este treino que constrói o jogador.

Com a nossa saúde acontece exatamente a mesma coisa: o dia em que você precisa subir uma escada sem ficar ofegante, brincar com os filhos ou netos, carregar as compras do supermercado, viajar sem sentir dores ou simplesmente levantar da cadeira com facilidade. Tudo isso é o “dia do jogo”. E o resultado depende da quantidade de treinos que vieram antes.

É curioso como muitas pessoas querem os benefícios da atividade física sem passar pela atividade física. É como querer aprender inglês assistindo apenas à cerimônia de abertura das Olimpíadas. Ou querer cozinhar igual a um chef vendo meia dúzia de vídeos na internet. Não funciona.

O corpo aprende por repetição. Quanto mais frequência, melhores são as adaptações. E aqui existe uma notícia muito boa: você não precisa correr como um atacante da Seleção, nem levantar o peso de um fisiculturista, nem passar duas horas por dia dentro de uma academia.

O que realmente faz diferença é aparecer, treinar hoje e voltar amanhã. Repetindo isso durante semanas, meses e anos. Porque a saúde não é construída em um único treino. Ela é construída na soma deles. Os jogadores da Copa nos emocionam pelos gols, mas, por trás de cada gol, existem milhares de treinos que ninguém assistiu.

Talvez essa seja a maior lição que o futebol possa nos ensinar: os melhores resultados quase nunca acontecem por causa de um grande esforço. Eles acontecem por causa de centenas de pequenos esforços feitos com regularidade.

E assim é com você. Porque o corpo que você terá daqui a alguns anos está sendo treinado — ou destreinado — pelas escolhas que você faz agora.

E, convenhamos… É muito melhor colecionar histórias sobre caminhadas, viagens e brincadeiras com a família do que contar para todo mundo que perdeu a disputa mais importante da vida… para o sofá da sala.

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